quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Uma imagem

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Ás vezes basta uma imagem para nos fazer voltar atrás no tempo, reviver coisas simples e banais
mas que ficam na nossa memoria, meio adormecidas até que alguma coisa as desperta...
Como de costume andava eu nas minhas visitas pelo 'bairro' e eis que quando chego a 'casa' da amiga Coragem me apaixonei por esta imagem, linda não é!?? Eu acho, talvez pelo que ela me fez lembrar.
Então pedi licença para a trazer comigo, e aqui está ela com algumas das minhas memorias de infância.
Era eu uma menina de longos cabelos presos por um par de 'tótós' o que me dava um ar sempre catita,
sim porque apesar de sermos muitos(9) filhos e de a família ser modesta, a minha mãe sempre fez questão
que os filhos andassem sempre limpos e asseados.
Na altura devia ter eu os meus 5/6 anos, talvez menos...adorava ver chegar o domingo, pois era dia em que brincávamos á vontade já que não havia trabalhos de casa para eles fazerem, e as tarefas de cada um já estavam em ordem.
Era então que os meus irmãos pegavam numas cordas grossas que o meu pai usava para subir o motor que puxava a água do poço sempre que este'gripava', não sem antes pedir licença é claro, e lá íamos passar a tarde no pinhal que ficava nas traseiras de casa.
Eles prendiam as cordas bem alto, mas mesmo bem alto e assim estava montada a minha diversão favorita, um baloiço...mas não era um baloiço qualquer não senhor, era o maior baloiço que algum dia eu vi,que me levava pelo ar, naquele vai e vem sem medo algum, que me fazia tão feliz, penso que não era só a mim, pois as gargalhadas eram uma constante nas nossas brincadeiras, é claro que como bons irmãos que éramos e ainda somos,
de vez enquando lá vinha uma zanga, um 'não falo mais para ti' mas que ao fim de alguns minutos estava
tudo passado e sem deixar magoas.
Enquanto as meninas brincavam no baloiço, os rapazes construíam uma cabana com ramos de eucaliptos e fetos, iam apanhar grilos que púnhamos na gaiola para ouvir cantar durante todo o verão, se por acaso estavam bem dispostos até nos deixavam entrar na cabana para lanchar, coisas que trazíamos de casa ou que entretanto algum de nós ia buscar, então fazia-se um lanche á nossa 'moda', onde não faltavam as cebolas salgadas(que hoje não consigo comer) os tomates,os pepinos, tudo colhido lá do quintal, e não podia faltar a broa feita pela minha mãe, e por sorte umas azeitonas e tremoços, tudo regado com uma boa limonada com os limões do limoeiro que morava no jardim, era tudo uma delicia.
Era tudo tão simples, tão verdadeiro,e pouco mais era preciso para nos fazer sentir aquela leveza própria de crianças que brincam com as brincadeiras que construíam com o pouco que tinham e mesmo assim eram tão felizes.
Sei que a infância dos meus irmãos mais velhos não terá sido sempre um 'mar de rosas', sempre que era preciso ajudavam no campo, porque de lá saía muito do que se comia em casa, começaram a trabalhar cedo , era preciso ajudar nas despesas da casa, eu talvez por ser a mais nova fui um pouco mais protegida, mais mimada, mas se era altura de vindimas ou da apanha da batata lá ia eu com eles.
Eram tempos em que as coisas eram conseguidas com mais esforço, mas era exactamente esse esforço que lhes dava mais gosto, mais valor...
Era preciso tão pouco...
Foram estas e outras lembranças que esta imagem me trouxe de volta, ...o baloiço então! que saudades de ser menina com um belo par de tótós a voar ao sabor do vento, para lá e para cá..
É tão bom quando podemos lembrar coisas simples, que ainda hoje nos pintam um sorriso no rosto.
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Obrigado Coragem

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16 comentários:

Si disse...

Adoro recordar coisas de infância, onde, realmente, tudo era bem mais simples, mais puro e de uma alegria contagiante.
(E essa das cebolas salgadas, fez-me lembrar o post que fiz, há uns tempos, sobre a minha 'Aurora'...)
Beijinhos

Coragem disse...

Ó minha querida, eu sim agradeço ter tido a oportunidade de ler este magnifico texto, onde nele revelas tanto de ti.
Pudesse eu ter imagens diarias para te oferecer. Para poderes ires buscar estas palavras ao bau das tuas recordações, aos teus momentos encantados.

Sabes, leio-te há já algum tempo, não sei quanto, mas este texto, está tão puro, tão sincero, quase um alinhavo, que me atreveria a dizer que o melhor que já li de ti até hoje.
Ora, se fui eu que contribui, nem imaginas o que sinto, feliz, sim sinto-me feliz!

Um beijo menina dos sorrisos, e hoje foste tu que me colocaste não um, mas vários sorrisos nos lábios

Patti disse...

E que bom é recordar. Gostei imenso.

de dentro pra fora.... disse...

Si

Na altura adorava comer as cebolas assim, agora não consigo :)

de dentro pra fora.... disse...

Coragem

Foste tu pois que com esta simples imagem acordaste em mim estas recordações, gostei de as partilhar com vocês :)

de dentro pra fora.... disse...

Patti

Apesar de não ser saudosista gosto de me deixar levar sempre que algo me puxa... :))

LeniB disse...

Levaste-me numa viagem fora do tempo...
bjs

de dentro pra fora.... disse...

Lenib

Também eu me deixei levar..pela imagem

Camila Vila Nova Wanderley disse...

Olá! adorei seu texto!

Beijos e sucesso pra você!

Renato Oliveira disse...

Olá C,

Que belo texto a fazer reviver a nossa infância, com simplicidade e pureza de actos próprios de crianças!

E esta imagem está excepcional, "carago"!

Beijinho,

Renato

de dentro pra fora.... disse...

Camila

E eu adorei escreve-lo...

de dentro pra fora.... disse...

Renato

A 'culpada' do texto é ela mesma a imagem, pela qual me apaixonei mal a vi em casa da minha vizinha Coragem, pedi logo licença para a trazer cá pra casa para fazer companhia as minhas lembranças, ela como é uma krida deu licença e eu trouxe, e olha que belo quadro ficou..

O QUATORZE disse...

Olá. Boa noite
Tenho andado distante, mas li o seu espaço e continua muiyo bem e como sempre agradável.
Boas festas e parabens.
LUIS 14

Vida de Praia disse...

Boas memórias as tuas! Adorei a imagem!

Pitanga Doce disse...

Acabaste de descrever a infância do meu pai e no mesmo lugar!!! Ele também levava um pouquinho de sal para temperar a cebola e o tomate e levava um pedacinho de pão feito pela minha avó que nem cheguei a conhecer. É claro que tudo isso aconteceu muitos anos antes da tua familia pela diferença de idade, mas talvez ele tenha conhecido os teus pais. Ele ainda tem uma irmã que vive em Perosinho.

Ah as recordações que sempre nos visitam!

BlueVelvet disse...

É linda a imagem. Também me encantou quando a vi na net.
Que bom que te fez recordar tanta coisa boa.
Beijinhos