sexta-feira, 23 de maio de 2014

Quem...







QUEM COMO EU

Quem como eu em silêncio tece
Bailados, jardins e harmonias?
Quem como eu se perde e se dispersa
Nas coisas e nos dias?

Sophia de Mello Breyner Andresen,

segunda-feira, 5 de maio de 2014

O valioso tempo dos maduros






Contei meus anos E descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente Do que já vivi até agora Tenho muito mais passado do que futuro. Sinto-me aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas. As primeiras ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço. Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, Cobiçando seus lugares, talentos e sorte. Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que apesar da idade cronológica, são imaturos. Detesto fazer acareação de desafectos que brigam pelo Majestoso cargo de secretário-geral do coral. As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, Minha alma tem pressa... Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, Muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge da sua mortalidade. Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, O essencial faz a vida valer a pena.

                                            "Mário de Andrade"

terça-feira, 29 de abril de 2014

"Nega-me o pão, o ar
a luz,a Primavera,
mas nunca o teu riso, 
porque então morreria"


                           Pablo Neruda

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

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"Não digas nada, dá-me só a mão. Palavra de honra que não é preciso dizer nada, a mão chega.
Parece-te estranho, não é, mas chega.
Se calhar sou uma pessoa carente.
Se calhar nem sequer sou carente, sou só parvo"

                               António Lobo Antunes

Se calhar sou só PARVA